Amor com fermento.
Postado em 27/04/2007 - 00:18

Eu queria um pedaço desse bolo. Não o primeiro, que é cheio de amor
por parte de quem oferece, mas leva junto no prato uma
responsabilidade maior que eu. Queria um pedaço fora de ordem,
servido no meio da confusão, ou apenas uma amostra, surrupiada
discretamente com o indicador, levando o creme de chocolate que teima
em nos provocar, ali na quina da bandeja.
Eu queria um pedaço desse bolo. Não para guardar no congelador, feito
bolo de casamento, desafiando as gulas e laricas do dia-a-dia porque
devem ser guardados para que a gente deguste apenas no aniversário
de um ano das bodas. Eu quero para comer agora, já, de guardanapo,
sentado no chão, em pé ao lado da churrasqueira-gaiola, na mesa cheia
de papéis, na sala alheia.
Eu queria um pedaço desse bolo. Não me importa se tem crocante, se
tem recheio de maracujá, se a cereja caiu no chão, se são morangos
escondidos por baixo desse creme branco que tem cara de sacanagem
com namorada. Me importa que seja um bolo de aniversário de um ente
querido. E só.
Eu queria um pedaço desse bolo só por isso. Porque só como bolo se for
gostoso como dividir alegria com quem a gente aprende a amar.
Colocando aquele fermento que só a gente sabe onde esconde.




{Aos meus queridos Fê, Rê, Lula e René pelos 10 anos dessa casa linda,
a Level.}

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( ).
Postado em 23/04/2007 - 09:54

Deixo-me em silêncio para que ouças.

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Salve, Jorge.
Postado em 23/04/2007 - 09:51

Santo da música. Metrônomo de corações que batucam no quintal
arborizado dos nossos desejos.


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Aos olhos distantes, que nada vêem.
Postado em 23/04/2007 - 09:48

O atormento da morte, quedas de luz freqüentes na sua casinha de
interior. E tudo que lá havia, por dentro, no tal interior, eram de tal sorte
sentimento forte, certezas do que é belo, a antimágoa das águas
passadas, o veneno tirado do pote para ser servido com honrarias aos
eternos amigos que degustam dos mesmos sensos e consensos.
E se lhe batesse a porta novamente, o atormento já destino teria: partir
pelos fundos, devastando a caatinga restante, rasgando raízes velhas,
espanando o couro que ainda curtia no varal.

{Roupa suja no varal da alma. Aqui já pôde-se ler. Melhor consultar.}

E ao observar a fuga escura das suas fraquezas, fez-se homem de novo.
Fez-se homem de novo. Fez-se homem de novo.

O novo nunca vem. Ele é. Está. Sempre será. Ali, no mesmo interior
onde a casinha pisca aos olhos distantes. Que nada vêem.

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E a Lia, ele respondeu.
Postado em 17/04/2007 - 19:49

- Terreno perigoso, você me diz. Mas me deixa. Se eu escavar bem,
encontro outro, que sei.


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Aquele cheiro acre de amor.
Postado em 17/04/2007 - 18:03

Acontece que aos ouvidos dela palavra de amor é mágoa de ferida, tem
aquele cheiro acre que abre narinas e fecha olhos. Tinha eles, os olhos,
sempre em vermelhidão pela maconha, alimento de lucidez para a
infelicidade que guardara em seus armários do cardíaco sótão
empoeirado.
Lia era moça pobre de desejos. Fruto apodrecido de um fulano que
escolhera a outra. A outra, sim, fruto de pecado. Pecado, que merda.
Pecar achando que transgredir é usufruir de liberdade. Eles eram livres
e o desinfeliz não entendera.
Ah, a estupidez peniana. Quer trepar? Vai. Foi o que disse.
Agora padecia da dor da ferida escancarada, cutucada por este outro
que teimava em fazer-lhe afagos na alma.

- Que alma? Levaram a única que me foi dada.

Fumou um baseado antes de dormir no sofá. Só.


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Pedrinho Fonseca, Recife, 1975. Já plantou árvore, já lançou livro. Espera um filho para agosto de 2008.


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