Um post com muito mais que mil palavras. Muito mais.
Postado em 31/01/2007 - 02:36

Eterno reencontro.
Postado em 16/01/2007 - 18:55
Leva minhas desculpas, meus abraços
As lembranças de uma noite entre tantas
Que entretanto eu lembro bem
Leva meus percalços, minhas culpas
Tantas dores dos amores que fizemos
E que me fizeram ser
Velhos amigos que se encontram
Num carnaval qualquer
Onde simplesmente
For conveniente
A troca de olhares
E juras
E promessas
E certezas
Do que foi
Do que é
Do que vai ser
Um eterno reencontro
Que acaba de nascer
{Para Lua.}
A hora do breque.
Postado em 13/01/2007 - 03:55
Sinto dizer
Mas você não sabe, meu caro
Nem vai saber
Nem vai
Que isso é coisa de berço
Não tem figura, nem adereço
Que lhe faça sambar
Eu não me alegro em ver
Que o tempo perdeu-se de você
No intervalo de um acorde qualquer
Acorde
Para dar tempo de deixar uma herança
A uma pobre criança que ainda vai nascer
Acorde
Que morreu a esperança
E pelo que vejo
Não deu adeus a você
Eu sinto, sinto dizer
{Dedicado ao amigo e padrinho René – conversa com Moreira na roda dá nisso, velho.}
{Isso nem é música, nem poesia. Não sou – nem jamais conseguiria tanta pretensão dentro desse corpinho lindo e enxuto que tenho – poeta, muito menos músico. Sou apenas um rostinho bonito.}
{Viva o critério, quando se tem.}
A pendular.
Postado em 12/01/2007 - 16:20
Lá ia, lá vinha. Um balanço onde colocava as palavras e graciosamente empurrava, para que elas sentissem o vento dos sentimentos no rosto. Ao final, dadas as mãos, caminhavam pelo parque escrevendo histórias que não eram suas.
Doce lembrança.
Postado em 12/01/2007 - 14:28
Atirou o cigarro pela janela do décimo andar.
Sua lembrança mais marcante era de uma cena na cozinha da casa da avó, devia ter uns oito anos. Recordava perfeitamente de uma panela velha, sem cabo, que dona Inês segurava pela borda com um pano úmido, enquanto mexia vagarosamente. Entre experimentar na colher de pau e mexer mais um pouco, o assunto era o de sempre. As férias, os amigos de pelada na rua de barro, Monteiro Lobato e suas fantasias que se tornavam reais na cabeça de uma criança.
Quando servido, o brigadeiro era invariavelmente dividido apenas entre os dois, avó e neto. Exceto quando a tia glutona chegava mais cedo das suas aulas de piano e prejudicava a partilha do doce, previamente combinada entre ambos. Verdade que era uma delícia, com consistência que só uma avó poderia conseguir alcançar. Mas representava o prefácio do banho noturno, tomado de cueca ao lado da caixa d'água no quintal. E isso não tinha o sabor de uma doce lembrança. A água era tão fria que a única maneira de se agüentar era pular enquanto derramava o líquido na cabeça com um pequeno pote de barro.
Ainda com o gosto na boca e uma certa esperança de que aquilo tudo durasse a vida inteira, ia para a sala escutar o que estivesse passando na televisão – já que os olhos, a essa altura, começavam a passar mais tempo fechados que abertos.
Viu o cigarro cair no terreno baldio ao lado do prédio. Soltou a fumaça como se suspirasse e olhou os arranha-céus que tomavam conta do horizonte. Ainda tinha a mesma esperança.
De pai para filho.
Postado em 10/01/2007 - 15:56
Dito pelo meu pai:
- O trabalho é a única coisa que deveria nos envaidecer.
{Vagabundo nenhum merece um samba. Diria eu.}