Dos obstáculos que você - é, você mesmo - enfrenta a cada dia.
Postado em 29/09/2006 - 16:46

Para subir na vida é preciso degraus.

{Por vezes, no almoço, come-se pouco. Mas alimenta-se bem.}

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Descortinando a vida.
Postado em 29/09/2006 - 16:41

Verdade só existe para quem não usa cortinas nas palavras.

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O seu canto.
Postado em 29/09/2006 - 16:39

Desejara algo maior a si próprio. Não queria ser Toquinho ao lado de Vinícus, parasita da genialidade alheia. E percorreu o caminho ao revés do que lhe recomendaram. Desfez-se dos pertences e gritou independência às margens do seu próprio rio, contra a correnteza de ilusões do sucesso.

{Sucesso não existe. É delírio pessoal momentâneo de quem se vê imortal.}

E naquela noite, na coxia, via-se realizado antes mesmo de concretizar-se. Caminhou lentamente pelo breu confortante, seguindo setas de esparadrapo no chão, o antilabirinto da escuridão. Seu último suspiro.

No palco, perseguido por uma forte luz, ouviu os aplausos. Conseguira.

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De(s)propósito.
Postado em 29/09/2006 - 16:33

Propõe que ponham o pôr do sol num postal. E se prostram, protagonizando o ato póstumo.

{A propósito: é de propósito.}

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Samba para ela.
Postado em 26/09/2006 - 17:33

Fale dela
Conte-me seus passos
Os que vi na avenida
Guardei na lembrança

Fale dela
Exponha-me sua vida
As glórias e desventuras
Dessa pobre criança

Eu quero reler os poemas que fiz
Para ela quando ainda não podia
Ler em voz alta
Cantar uma melodia
A música que ela ouvia
Não podia ser um samba

Agora falo dela
Canto para ela
Palavras que não foram ditas
Desejos tão contidos
Beijos e abraços recolhidos
Mas que ainda são para ela

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Domingo perdido.
Postado em 26/09/2006 - 11:50

Domingo é para ler jornal na cama, fazer café para dois, dizer bem alto que ama, programar o ócio como se fosse, ele, o melhor negócio. Domingo é para o parque, para desenferrujar o lombo, comer arrumadinho de charque, comer algodão, o doce, lambuzando a mão. Domingo é para ouvir um vinil, dançar com a esposa, gritar um puta que o pariu, reafirmar a certeza, desse amor, que beleza. Domingo é dia de livro bom, uma espiada na tarde azul, escutar e fumar com Tom, se deliciar com comida, na panela, e celebrar a vida. Domingo é dia de desligar a tv na cara de Faustão, assistir um filme, mas não na Fundação, tomar um café, expresso, e andar devagar a pé. Domingo é dia perdido, de deitar na rede, de sentir-se querido, e dormir cedo porque o outro dia, esse sim, é dia de medo.

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Pedrinho Fonseca, Recife, 1975. Já plantou árvore, já lançou livro. Espera um filho para agosto de 2008.


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